Nelinha do Babaçu
Nelinha do Babaçu entre palmeiras de babaçu

Quebradeira de coco, empresária, palestrante

A quebradeira de cocoque levou o babaçu a Harvard.

Cornélia Rodrigues, de Palmeirândia, Maranhão.

Leia a história
Nelinha do Babaçu

Quem éNelinha?

Cornélia Rodrigues nasceu num povoado sem escola na Baixada Maranhense, saiu de casa aos 11, passou quarenta anos como cozinheira e governanta, e hoje é sócia do diretor Jaime Monjardim na Reflyta, a empresa que transforma o babaçu em leite, creme, canudo, madeira e um sachê contra a desnutrição infantil desenvolvido com a Embrapa.

Gente que faz a Amazônia acontecer.

Linha do tempo

Uma menina que quebrava coco pra jantar virou sócia de uma indústria.

Nelinha é o apelido. Cornélia Rodrigues é o nome gravado na placa de Harvard. Entre um e outro há dois estados, uma cozinha, uma receita e uma pergunta. Abaixo, a trajetória na ordem em que aconteceu.

Anos 70

Santa Eulália, Palmeirândia

Nasce numa casa de palha, sem escola e sem fósforo.

Santa Eulália é um povoado de Palmeirândia, na Baixada Maranhense. O pai lavrava a terra. A mãe quebrava coco, como a avó e a bisavó tinham quebrado. A casa era coberta e fechada com folha de babaçu, e não havia fósforo pra acender o fogo. Quando faltava tudo, o coco garantia a comida. Ainda criança, ela quebrou o primeiro da vida pra comprar um pó compacto. O babaçu não era uma causa. Era o jantar.

Aos 11

O rio Pericumã

Sai de barco pra estudar: serviço de manhã, colégio à tarde.

No povoado não havia escola, e o pai, que mal sabia ler, queria os filhos estudando. Uma família de São Luís, os Baldez, aceitou a menina: serviço doméstico de manhã, colégio à tarde. Ela desceu o rio Pericumã de barco. Quando a família se mudou pra Brasília, foi junto. Quando se mudou pro Rio, foi de novo. Trabalhava, estudava e mandava dinheiro pra casa.

Anos 80

De férias em Santa Eulália

Volta pra casa e encontra a pergunta que vai guiar a vida dela.

Numa das férias, encontrou a casa do pai de telha, com pratos e uma panela de pressão comprados com o dinheiro que os filhos mandavam. E encontrou a casa do tio como sempre foi: comida servida na folha de bananeira, no chão, e um cachorro que atravessou a parede de palha. Entendeu naquele dia que sair e mandar dinheiro mudava uma família, não o povoado. A pergunta que nasceu ali é a que ela ainda responde no palco: “o que tem na minha terra que pode dar oportunidade?”

Até 2019

Rio e São Paulo, quatro décadas

Quatro décadas na cozinha de quem entendia de dinheiro.

Empregada, cozinheira, governanta. Casou e criou dois filhos em São Gonçalo. E prestou atenção no que se dizia à mesa. Com um patrão do mercado financeiro aprendeu o que é especulação. Com um banqueiro, o que é carbono. Com o diretor Jaime Monjardim fez uma amizade que anos depois viraria sociedade. Ela resume assim: “você só consegue enxergar a ilha quando sai da ilha”.

1999

Pacaembu, São Paulo

Inventa o creme de leite de babaçu. E não tem como vender.

Cozinhava pra uma família judaica quando recebeu um substituto vegetal pro creme de leite. Achou ruim. Lembrou do frango no leite de babaçu que a mãe fazia: o sabor era o mesmo. Em cinco minutos desenhou o negócio inteiro: creme de leite de babaçu feito pelas primas em Palmeirândia e vendido à colônia judaica de São Paulo. Fez a receita, e uma amiga da patroa jurou que era creme de leite de verdade. Mas produto kosher precisa de um rabino pra certificar, e uma cozinheira não tinha como chegar a um. A ideia foi pra gaveta. Ficou lá até 2019.

2019

A virada

Jaime pergunta o que é babaçu. Depois compra uma fazenda.

Jaime Monjardim a levou à Cidade Matarazzo pra conhecer Alex Allard, que disse: “todos serão beneficiados, desde quem produz na ponta”. Ela propôs a Jaime o creme de leite. Ele topou. Só depois perguntou o que era babaçu. Foi ao Maranhão pra ficar três dias e ficou semanas. Comprou a Palma, uma fazenda de babaçuais na Baixada. Rodrigo Fleury entrou como terceiro sócio. Nascia a Reflyta, e a cozinheira virava sócia.

2023 a 2024

Da planta piloto à Embrapa

Os produtos saem da planta piloto. E a Embrapa aprova o sachê.

Em março de 2023, os primeiros produtos vegetais saíram da planta piloto, em caixa Tetra Pak, e entraram em teste de prateleira. Enquanto isso ela levava outra ideia pra Embrapa: um sachê contra a desnutrição infantil, com a amêndoa do babaçu no lugar do amendoim. Em 14 de setembro de 2024, a Embrapa confirmou que dava pra fazer. Pra entender o que ela levou à Embrapa, primeiro é preciso entender a palmeira.

O babaçu

A pergunta que toda plateia faz: o que é babaçu?

O Maranhão tem as maiores florestas de babaçu do mundo. Ela cresceu debaixo delas.

Depois vêm Piauí e Tocantins. A palmeira que cobria a casa dela é a matéria-prima de tudo que ela criou desde então.

A tese que ela leva pra qualquer palco: nada da palmeira se perde.

Folha
cobre a casa e alimenta o rebanho
Fruto
vira farinha e leite
Amêndoa
dá o óleo, o creme e o sachê nutricional
Casca
vira carvão que filtra água

O sachê

O produto que a levou a Harvard nasceu de um vídeo e de uma pergunta.

Não é produto de gôndola. É uma pasta nutritiva em sachê, do tipo que organizações humanitárias entregam a crianças desnutridas. A dela é feita com babaçu, foi aprovada pela Embrapa, e a ideia não veio de um laboratório. Veio de uma cozinheira assistindo a um vídeo.

  1. Ela viu um vídeo

    Médicos Sem Fronteiras abrindo um sachê de pasta nutritiva pra uma criança. Ela reparou numa coisa que só uma quebradeira repararia: a cor era igual à do creme da farinha do babaçu.

  2. E quase desistiu

    Pesquisou e achou o sachê que já existia, francês, à base de amendoim. Achou tão humano que não quis concorrer com ele.

  3. Até uma pergunta não sair da cabeça

    Num vídeo da Madre Teresa, uma menina comia o pão em migalhas por medo de ele acabar. Ela ficou pensando: “o que pensa uma mãe quando o avião da ONU vai embora?”

  4. A resposta foi a ideia inteira

    Entregar o sachê junto com mudas de babaçu. Primeiro a folha alimenta o rebanho. Depois cobre a casa. Depois a palmeira dá fruto, farinha, leite e carvão pra filtrar água. Nas palavras dela: “passei aqui há sete anos, mas deixei uma esperança”.

  5. E a Embrapa disse que dava

    A Embrapa Cocais quis participar. A pesquisa foi feita na Embrapa Alimentos, no Rio. A norma da ONU permite trocar o ingrediente: o amendoim sai, a amêndoa de babaçu entra. Aprovado em 14 de setembro de 2024. Em setembro de 2025 começou a última fase antes da fábrica.

  6. A primeira TPU brasileira.

    É assim que ela chama. O termo técnico é RUTF: alimento terapêutico pronto pra uso.

O reconhecimento

Harvard a chamou de embaixadora. A Globo deu o prêmio. A Embrapa assinou embaixo.

Entre outubro de 2024 e maio de 2025, quatro instituições que não têm nada a ver umas com as outras chegaram à mesma conclusão sobre ela. Um fórum de empresárias em São Luís. Uma conferência em Harvard. Um prêmio na TV Globo. E a Embrapa.

  1. Mulher Notável, categoria Inovação
    Mulher Notável 2024, São Luís

    Mulher Notável, categoria Inovação

    22º Fórum da Mulher Empresária, ACM Mulher. São Luís, outubro de 2024. O salão se levantou.

  2. Embaixadora de Impacto Social
    A placa de Harvard e MIT, abril de 2025

    Embaixadora de Impacto Social

    Brazil Conference at Harvard & MIT. Boston, abril de 2025. O nome civil dela, gravado numa placa.

  3. Prêmio Sim à Igualdade Racial
    Prêmio Sim, maio de 2025

    Prêmio Sim à Igualdade Racial

    ID_BR. Gravado no Rio em 7 de maio de 2025 e exibido na TV Globo, depois do Fantástico.

Aprovada pela Embrapa

A Embrapa Cocais e a Embrapa Alimentos deram aprovação técnica ao sachê em setembro de 2024. É o único dos quatro reconhecimentos que não veio com troféu, e o que mais pesa.

Agora

Leite chegando à prateleira, sachê a caminho da fábrica, açaí na fila.

Em fevereiro de 2026 ela anunciou o leite de babaçu em fase de lançamento em São Paulo e no Rio, com Maranhão escrito na caixa. No carnaval, a Favela, escola de samba de São Luís, levou a história dela pra avenida. O sachê entrou na última etapa antes da fábrica. E em agosto ela contou qual é o próximo passo: um produto de açaí. A menina de Santa Eulália ainda está fazendo a mesma pergunta.

Palestra na ANEEL, dezembro de 2024
Palestra na ANEEL, dezembro de 2024
O salão de pé, São Luís
O salão de pé, São Luís
Os embaixadores de 2025, no MIT
Os embaixadores de 2025, no MIT
Consulado do Brasil em Boston
Consulado do Brasil em Boston
Com os apresentadores do Prêmio Sim
Com os apresentadores do Prêmio Sim
O salão de pé, São Luís
O salão de pé, São Luís
Os embaixadores de 2025, no MIT
Os embaixadores de 2025, no MIT
Consulado do Brasil em Boston
Consulado do Brasil em Boston
Com os apresentadores do Prêmio Sim
Com os apresentadores do Prêmio Sim
O salão de pé, São Luís
O salão de pé, São Luís
Os embaixadores de 2025, no MIT
Os embaixadores de 2025, no MIT
Consulado do Brasil em Boston
Consulado do Brasil em Boston
Com os apresentadores do Prêmio Sim
Com os apresentadores do Prêmio Sim
O salão de pé, São Luís
O salão de pé, São Luís
Os embaixadores de 2025, no MIT
Os embaixadores de 2025, no MIT
Consulado do Brasil em Boston
Consulado do Brasil em Boston
Com os apresentadores do Prêmio Sim
Com os apresentadores do Prêmio Sim

No palco

Uma palestrante que não lê o que fala. Porque viveu o que conta.

Empresas, uma agência reguladora federal, universidades, o Sebrae e uma conferência em Harvard já a colocaram no palco. Ela sobe sem papel, conta a própria história e responde qualquer pergunta da plateia. Cinco temas, todos tirados da própria vida:

  • Oportunidade, não caridade

    Como combater desigualdade criando negócio, e não doação. O exemplo é a vida dela.

  • Sustentabilidade que dá lucro

    O empresário pergunta quanto custa. Ela mostra quanto ganha. Indústria e floresta como sócias.

  • Mulheres que sustentam uma indústria

    As quebradeiras de coco, uma cadeia industrial que ninguém via. Empreender a partir do que a mulher já sabe fazer.

  • Inovação que vem do cotidiano

    Uma receita da mãe virou produto industrial. Conhecimento tradicional mais ciência.

  • Maranhão, a cereja do bolo

    Floresta, porto, água, base espacial. Por que investir no estado, e por que o maranhense precisa acreditar nisso primeiro.

Onde ela já subiu ao palco

  • 22º Fórum da Mulher Empresária, ACM Mulher

    Empresárias, salão lotado

    Outubro de 2024

  • Coleção Identidade, Pontilhando

    Evento corporativo

    Novembro de 2024

  • ANEEL, Balanço das Atividades 2024

    Servidores de agência reguladora, Brasília

    Dezembro de 2024

  • CESTE e Sesc, Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO)

    Mulheres empreendedoras da comunidade de uma usina

    Março de 2025

  • Brazil Conference at Harvard & MIT

    Estudantes e empresas, Estados Unidos

    Abril de 2025

  • Julho das Pretas, Sebrae Campo Grande (MS)

    Mulheres negras e quilombolas

    Agosto de 2025

  • Linha de Produção, O Imparcial e UEMA

    Acadêmicos e estudantes, com plateia

    Setembro de 2025

  • Palestra especial com bolsistas Pibid

    Universitários e professores

  • Verano Talk, São Luís

    Público de moda e lifestyle

Fórum da Mulher Empresária
Fórum da Mulher Empresária
Plateia da ANEEL
Plateia da ANEEL
Coleção Identidade
Coleção Identidade
No púlpito, São Luís
No púlpito, São Luís

Veja como ela fala

Na CESTE, pra uma plateia de mulheres

2 minutos

No Sebrae de Campo Grande, Julho das Pretas

4 minutos, TV Guanandi

No Prêmio Sim à Igualdade Racial

40 segundos, a fala inteira

Convidar pra palestra

Formato, duração e cachê você acerta direto com ela.

Nas palavras dela

Do jeito que ela diz.

  • A melhor forma de combater a desigualdade é criando oportunidade.

    Em toda entrevista que dá

  • A indústria não é inimiga da floresta. A indústria é parceira da floresta.

    Repórter Eco, agosto de 2026

  • O Maranhão é a cereja do bolo.

    Linha de Produção e Toda Mulher

Quem esteve perto

O que dizem as quebradeiras, o sócio e quem foi ao Maranhão conferir.

  • Nós nunca tivemos esse reconhecimento que hoje nós estamos tendo com esse projeto que a dona Nelinha trouxe para a Palmeirândia.
    Quebradeira de coco da cooperativaAo Globo Rural
  • Realizei meu sonho e fui comprar minha máquina com dinheiro de babaçu.
    Quebradeira de coco da cooperativaÀ GloboNews
  • Nós estamos muito felizes de poder proporcionar esse novo produto no mercado brasileiro e conseguir conservar essas grandes florestas de babaçu.
    Jaime Monjardim, sócioÀ GloboNews
  • Uma mulher desbravadora que me deixou completamente encantada com sua história de vida.
    Luiza BarcelosNo Instagram, depois de visitar o Maranhão. Dezembro de 2024

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O destino deste formulário ainda está em definição com a equipe da Nelinha.